Devaneios

Pequena ideia inicial – Meu primeiro mês praticando Kung Fu!

Olá alcateia! Tudo bom com vocês? Como alguns de vocês sabem, há um mês atrás eu comecei a praticar Kung Fu e me apaixonei imensamente por essa arte! Então eu resolvi fazer um post aqui no blog contando um pouco da minha experiência e das coisas que tenho aprendido.

Antes de mais nada eu acho que é preciso contextualizar como que eu fui parar nessa arte marcial. Há muitos anos atrás (ó céus, estou ficando velha) eu tinha uma autoestima extremamente baixa, eu odiava minha personalidade, odiava meu jeito e odiava principalmente meu corpo. Por causa disso eu comia compulsivamente e engordava cada vez mais, eu estava literalmente me destruindo com açúcar e gordura, mas assim como qualquer outro ser humano eu tinha consciência de que eu precisava cuidar da minha saúde e então fui em busca de fazer alguma atividade física. Fui regularmente pra academia durante um mês e meio e logo desanimei, ou melhor, logo me auto sabotei. Auto sabotagem é algo comum quando temos inseguranças enormes e nenhuma fé em nós mesmos, então contei várias historinhas de que o ambiente da academia era ruim, que só tinha gente bombada e isso fazia eu me sentir mal, que os instrutores não davam a atenção devida quando eu precisava usar algum aparelho e que eu não via resultados.

Foi então que eu saí da academia e comecei a procurar outras formas de me exercitar. Futebol ou Futsal? Não, muito violento. Handbol? Já tinha jogado na escola e não curtia muito. Vôlei? Não tinha perto. Ballet? Tem que começar desde criança (isso, inclusive, é um mito).Zumba? Aha! Isso posso tentar! Fui na primeira aula e depois de quase infartar eu nunca voltei lá. Foi quando eu assisti o filme O Grande Mestre, que conta a história do Ip Man, mestre do Bruce Lee. Cara, eu achei esse filme INCRÍVEL (ps. eu sei que em filme eles sempre romantizam um pouco as coisas pra ficar mais legal)! Eu já gostava muito de artes marciais pela minha infância assistindo Avatar, as vezes via meu melhor amigo treinar Karatê, e esse filme acabou abrindo os meus olhos para uma forma em que eu podia cuidar da minha mente e do meu corpo. Pra minha surpresa, existia um local no meu bairro que ensinava Kung Fu! Fui na mesma semana observar uma aula e novamente nunca mais voltei. Não me identifiquei com o estilo e, principalmente, não me senti capaz de aprender aquele estilo. Eu tinha adorado um estilo específico e aquele outro estilo (que não vou dizer o nome porque eu não conhecia nada sobre nada na época e não quero incutir um julgamento que sei que foi equívoco) simplesmente não era pra mim na minha mente que só queria se auto sabotar ainda mais.

Anos se passaram e muita coisa mudou. Eu mudei. Hoje aprendi a me amar, não me mato com comida e senti a necessidade novamente de buscar algo físico para fazer. Dessa vez eu queria realmente cuidar da minha mente e do meu corpo, não com o intuito de emagrecer, mas de me fortalecer interna e externamente. E lá fui eu buscar o Kung Fu novamente ♥ e dessa vez eu achei o estilo que procurava, o Wing Chun. A minha primeira aula foi uma surpresa, extremamente diferente da aula que eu tinha assistido anos atrás e dessa vez eu não tinha dúvida, eu ia em frente com aquilo! De primeira tudo foi bem diferente do que eu esperava, meu professor me ensinou a base, conversou comigo sobre a linha central e um pouco sobre a filosofia e criação do Wing Chun, mas logo de primeira eu descobri que o meu corpo é muito mais capaz do que eu imaginava (mesmo não tendo feito nada que realmente exigisse dele como tenho começado a fazer agora).

Posso dizer pra vocês que a cada aula eu me apaixono cada vez mais. Não vou fazer nesse post uma explicação sobre o Wing Chun em si porque eu não tenho propriedade pra isso (nem decorei o nome de todos os movimentos ainda), mas queria compartilhar um pouco das coisas que eu aprendi sobre mim com o Wing Chun. Em um mês eu aprendi a forma vazia do Siu Nim Tao e agora estou começando os exercícios a dois e a prática em si do Siu Nim Tao (que pra quem não sabe é o primeiro nivel do Wing Chun).

A primeira mudança que vi em um mês foi a minha postura, meu professor tinha me dito que com o tempo ela iria melhorar por causa da forma como encaixamos a coluna quando estamos na base, mas eu não imaginei que seria tão rápido! E isso está vindo da boca de uma mulher que nos 20 anos de vida já teve que ficar deitada e tomar injeção por dores na coluna porque ela nunca senta direito, anda toda torta e curva e tem um grau leve de escoliose e lordose! Adivinha quem tem andado ereta nas últimas semanas? Isso mesmo, euzinha! Mas essa é a parte mais simples e básica do que tenho aprendido, e também é consequência do fator seguinte.

Consciência corporal. Eu não tinha muita noção do que realmente essas duas palavras significavam na prática, mas agora estou começando a entender e a perceber o meu corpo. É meio difícil de explicar e racionalizar, mas com a prática do Wing Chun nós vamos reconectando nossa mente e nosso corpo e passamos perceber e aprender com pequenos detalhes do nosso corpo. A minha postura é um exemplo, antes eu sequer percebia o quão ruim minha postura estava, mas agora eu consigo sentir isso e corrijo imediatamente. Isso é algo que trazemos da forma para a vida. Quando estou praticando, é comum que eu perca o foco em um movimento, na base, na altura dos punhos ou etc, entretanto com o tempo eu tenho começado a perceber antes mesmo do meu professor precisar apontar isso. E eu sei que estou apenas no primeiro passo de um longo caminho, o que só me deixa ainda mais ansiosa pela evolução que eu vou ter daqui pra frente.

Energia. Se tem uma coisa que me impressionou foi o quanto de energia nós somos capazes de acumular. Eu finalmente estou entendo como os personagens de anime reúnem chi/ki/chackra ou que quer se seja, porque eu finalmente consegui sentir essa energia. Teve um exercício que eu tinha certeza absoluta que tinha me deixado exausta, exaurida de toda energia e como era o final da aula o meu professor me pediu para fazer o Siu Nim Tao completo novamente para eu fixar ainda mais a forma, foi quando assustadoramente eu fiz tudo com um vigor enorme! Minhas pernas não tremeram, meus calcanhares não doeram e eu consegui sentir a energia que eu tinha acumulado no exercício anterior ainda fluindo em mim.

E por falar em energia, um dos principais pontos do primeiro nível é o foco e a concentração. Racionalmente eu consigo entender o que é o foco, mas agora, com o Wing Chun, é a primeira vez que eu entendo foco com o meu corpo. Focar a energia acumulada nos pontos certos e liberá-la no momento certo, direcionar a minha energia para o movimento que quero fazer. Não vou dizer que tem sido fácil, só consegui de fato compreender e sentir isso nessa última semana de aula, mas tem sido incrível! É surreal as coisas que podemos fazer quando estamos focados naquilo, quando redirecionamos nossa energia e nossos pensamentos para aquele objetivo e é mais surreal ainda ver o quão poderoso o foco é a partir de uma experiência física e corporal, literalmente sentindo a energia passando pelo seu corpo.

Acho que por último, pra esse post não ficar tão grande, eu quero falar sobre uma conclusão que eu cheguei: relaxar não é tão fácil quanto parece. No Wing Chun você deve se manter relaxado a todo momento e não relaxar tem consequências físicas (as suas pernas tremem para caramba!), só que eu eu nunca ia imaginar que relaxar era tão difícil assim! Na minha última aula eu encontrei uma “dificuldade” em relaxar a parte inferior do meu corpo, a musculatura das minhas pernas ainda não está fortalecida e eu acabo focando demais em manter a base, só que quanto mais eu foco na base, mais eu tensiono a base e menos tempo eu consigo ficar nela. Aí entra a conexão corpo e mente novamente. Tentei muito racionalizar porque eu não conseguia relaxar na base, já que com os ombros apenas respirar fundo já me ajudava e em um momento do treino eu simplesmente relaxei, minhas pernas tremeram menos e eu fiquei um período maior naquela posição. Confesso que eu nem reparei o que tinha acontecido, mas meu professor reparou e me guiou para que eu percebesse o que eu havia feito de diferente.

Então depois de um mês de aula eu tenho certeza de algumas coisas:

1- Nosso corpo é muito mais capaz do que imaginamos; imagina se trabalharmos para fortalecê-lo.

2- Nosso corpo tem MUITA energia. MUUUUITA energia. E se aprendermos a canalizar e focar essa energia, nós podemos fazer tudo!

3- Eu nunca mais vou dizer “ah, relaxa cara!” como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Relaxar pode até ser simples, mas não é nenhum pouco fácil.

Eu também queria agradecer à Maidy (do canal Dear Maidy) que me incentivou a buscar o Kung Fu ♥ Eu confesso que tinha muito medo de começar a fazer por ser extremamente sedentária e também porque eu esperava chegar lá e encontrar apenas caras treinando (grande feminista você é hein Sibelle). Felizmente a Maidy espantou esse julgamento de mim, confiou na capacidade do meu corpo mais do que eu confiava e me incentivou a simplesmente fazer amizade com os “caras do kung fu”. E o meu receio de ser a única menina era tão bobo que acabou que eu sou a única PESSOA fazendo! Ainda quero conhecer o outro aluno do meu professor, mas a gente sempre se desencontra, então o meu receio era a coisa mais boba do mundo e ainda bem que tive apoio de uma mulher tão incrível pra me incentivar!

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